terça-feira, 5 de outubro de 2010

O incêndio de cada um

Cada um tem um momento, um gesto, um ato em que se individualiza e brilha. Nisto nos parecemos com os animais e peixes ou quem sabe com as nuvens. Animais e peixes tem isto: tem trejeitos raros e sedutores, cada um segundo sua espécie. Até as nuvens, como eu dizia, tem o seu momento de glória.

Uma vez vi um pintor em plena ação, pintando. Meu Deus! O homem era um incêndio só, uma alucinação. Sua respiração parou, ele praticamente bufava, parecia mais um cavalo de corrida, indômito, indócil. E sua face vibrava, havia febre nos seus gestos. Era uma erupção cromática, um assomo de formas e volumes.

Então é disso que eu estou falando. Dessa coisa simples e única, quando o que um tem de mais seu relampeja a olhos vistos. Quando isto se dá quebra-se a monotonia e o indivíduo se transcendentaliza.

Isto é o que importa: o incêndio de cada um. Cada qual deve ter um jeito de deflagrar sua luz aprisionada. As flores fazem isso sem esforço. Igualmente os pássaros. Todos tem seu momento de revelação. É aguardar, que o outro alguma hora vai se manifestar.

Affonso Romano de Sant'Anna



É isso que eu sinto, e meus pais não entendem!
Ninguém entende.
Eu não farei uma coisa com dedicação se eu não amar aquela coisa!
Lee

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Obscena Senhora D.

Às vezes parece que tudo se volta para um mesmo assunto.
Essa ultima vez, foi a morte.
Primeiro uma aula sobre Manuel Bandeira.
Depois a indicação desse livro, "A Obscena Senhora D." de Hilda Hilst. Onde a narradora-personagem, Hillé, após a morte de seu amante, Ehud, senta no vão da escada de sua casa e passa a refletir sobre a morte de Ehud, sobre ele, sobre seu pai, sua vida e a busca pelas suas perguntas sobre Deus. Com uma linguagem bem modernista o livro é de difícil leitura, mais atenção, eu e livro nos tornamos um só, de tão intensa e necessária a leitura.
Em seguida, avo, mae...
mais tudo passa, no quase, passa.... passou, por enquanto...
mais, fica a indicação, para quem quiser mergulhar na enlouquencia de Hillé, seu equilíbro e desequilibrio, suas máscaras, nudez, amor...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Morte

A aula de literatura sobre Manuel Bandeira também me inspirou, e naquele dia, eu muito refleti sobre o assunto. O que eu faria se eu soubesse que eu morreria logo?
Primeiramente, eu não contaria a ninguém, não gostaria de que as pessoas "sofressem" ou fingissem, não, além de ser algo extremamente difícil de se dizer a alguém: "Eu vou morrer amanhã".
Acho que eu faria de tudo para ver as pessoas que eu amo, felizes, por que eu adoro ver pessoas felizes e satisfeitas, e me asseguraria de tudo permanecerá bem.
Esse é o lado ruim da vida, a morte. É lógico que todo mundo vai morrer, mais a perda é difícil. Como será acordar e não ver mais a pessoa que ama ao lado? Não ter mais a mãe , a irmã, ou algum amor? Por isso, eu ficaria feliz se não tivesse nenhum amor, pois eu não levaria dor a alguém, ficaria feliz por não ter filhos, pois assim eles não cresceriam sem mãe. Mais, deve ser perturbador, dormir e não saber se vai acordar no dia seguinte, não saber se viverá para ter filhos, amar, viver!
Isso é tão estranho que me divide, aproveitar ou não o tempo que resta. Mas, que tempo? não sabemos quanto tempo resta. E mesmo assim as pessoas não aproveitam suas vidas, elas vivem para o sistema, alimentadas e criadas por ele.
Por mais que eu saiba que eu não tenho uma doença sem cura, eu não aproveito minha vid. Não leio o que quero, não faço o que quero, não digo o que quero; seja por medo, por vergonha, ou por respeito. Portanto se eu morresse amanhã, morreria sem realizar os meu desejos, sem experimentar coisas, sem viver!
Esta intensa reflexão, me lembrou muitos episódios relacionados ao título desse "texto". episódios que talvez um dia eu escreva aqui. São episódios que são os motivos pela minha repulsão à cemitérios e enterros.
Quem sabe um dia... será que chegará?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Memórias

Um bêbado;
Um par de butinas;
Uma butiona na mão do bêbado;
Uma menina - um alvo;
cabeça-butina-menina;
Parece que àquele avô deu o primeiro, de muitos golpes que seriam dados na cabeça daquela menina;
Seja pelo seu gênio ou pelos seus problemas físicos-motores....mas, não seriam butinas, e sim bolinhas papel, giz ou qualquer outro instrumento escolar, poderia servir.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fome desesperada

Numa dessas manhas de prova, eu saí de casa e caminhei até o ponto de ônibus. Me sentei e peguei os meus resumos de Literatura para ir estudando enquanto esperava a chegada do ônibus. Em um certo momento, depois de entrar naquela atmosfera literaturesca, um cachorro me chamou a atenção. Era um animal esquálido, aparentemente anêmico, que talvez não se alimentasse a dias. Ele andava pela calçada freneticamente, desesperadamente em busca de algum resto de comida ou algo que o pudesse matar sua fome. Remexendo aquela água suja da rua e mordendo pedaços de papel molhado, eu olhei para ele e ele para mim. naquele momento, não vi um cachorro, vi como se fosse uma pessoa a procura de comida. Que tal ponto chega a humanidade? O que mais me chocou foi a imagem do cachorro. depois ele continuou sua busca, foi, voltou, foi.... aí como se algo chegasse para que eu esquecesse, o ônibus chegou, e ele ficou...

sábado, 28 de agosto de 2010

Eu não sei na verdade quem eu sou

Eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito
Criando conceito pra tudo que restou?

Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou!
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro o sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou!

Perceber da onde veio a vida,
Por onde entrei deve haver uma saída,
Mas tudo fica sustentado pela fé!
Na verdade ninguém sabe o que é!

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo!
Com água e farinha eu colo figurinha e foto em documento!
Escola é onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro o sorriso e o meu paraíso é onde estou!
Eu não sei na verdade quem eu sou!

Descobri que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência!

Meninas são bruxas e fadas,
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro,
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou,
Já tentei calcular o meu valor,
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Eu não sei na verdade quem eu sou.

(O Teatro Mágico)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ai ai!
como as vezes é bom ser voce July...
voce não se importa com os outros, fica na sua, não irrita ninguém!
Só quando tem fome e sede... voce morreria perto de mim... se não fosse a Letícia voce morreria de fome minha gatinha...
mais apesar dos pesares voce é feliz... não se importa com vestibulares e o que te espera no futuro... voce é quase livre... eu disse quase. Não fuja não... nã seja mais uma a me abandonar.... depois de tantos "amigos" do passado, das outras escolas, fique mais u pouco, eterna companheira...
Voce que me encanta lindinha...
os outros eu quero que fique longe de mim... no passado... pois me recordam momentos que eu quero esquecer... só esquecer.... pois então venha... vamos tomar sol e brincarmos... vamos...