Ela estava sentada na cama, vendo o luar, se banhando e se purificando.
Eu me cansei -disse ela. Se cansou de quê? De que você se cansou, de novo?-perguntou ele, com uma ar de cansaço.Ah! me cansei de me cansar, me cansei de mim, me cansei dos vizinhos, de hipocrisia deles, da inveja dele, me cansei do Mundo, da sua maldade, da sua fome, da fome do homem, me cansei de sua falta de ideais, me cansei dessa manipulação... Me cansei desse se apaixonar por um corpo, por uma imagem, me cansei de tudo, me cansei de você... De mim? por que você se cansa de mim sempre que se cansa de algo? Por que você não me ama mais, por que eu já não sou aquela que você amou um dia... Você está louca, te amo igualmente todos os dias. Sim, acho que estou louca, e acho, que faz muito tempo, nós que não percebemos, eu que não percebi, mas fui me fechando, e agora vivo nesse escuro, nesse escuro iluminado... Eu não te entendo, eu vou te ignorar, por que amanhã você volta e depois, volta a isso, mas, eu vou fingir que você não está assim... ... ... ...
Eu vivo nesse escuro, por que eu vivo no claro, eu vejo tudo, vejo eles cochichando, olhando com desdem, fofocando, se olhando com raiva por trás e depois fingindo se amar.... sem ideologias, pessoas que nascem com caras de abortadas, que querem o que não tem... não mudam, não amam... eu vejo tudo isso... e isso me sufoca... me mata dia-a-dia. Você não me entende, nunca entendeu, nem vai entender. Você entende minha cabeça, meus lapsos de consciência, meus vazios... Sim, fui quem você amou, admirou, mais aquela lá morreu, você que não viu, nem foi ao enterro dela... dela só resta pó... E o que você quer que eu faça? o que você quer de mim, quer eu eu vá embora, é isso, pra amanhã você me procurar?... Eu quero que você se foda!! Quer saber? você não vai durar muito, louca assim, se dizendo consciente do mundo, você dura pouco, por que a dor vai te corroer, corroer, e depois, a dor será tanta, que você não vai aguentar e vai se matar! foda-se, você! Ele pegou suas coisas e nunca mais voltou. Quando o namorado saiu, se sentiu leva, depois sozinha, depois triste. Depois de algum tempo, se levantou, e saiu também.
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
E no fundo, sou só pó
No fundo, eu sou solidão...
todos somos, senão uma solidão só, e uma escuridão só.... pois, por mais alegre e feliz que uma pessoa pareça, por mais bela, e completa, ela sempre terá um fundo de escuridão, dores e solidão dentro de si...
Sempre haverá solidão, dores, cortes físicos não existentes, por que, ser humano, pelo que me parece, é assim, nada o contenta, nada o felicita eternamente.
E no fundo, eu sou só tristeza...
Por que a tristeza, é senão, um estado natural do ser humano... apenas isso... e disso vem a sua busca... pela doce e tesourífica alegria... disso vem o que o move, o que me move.
E no fundo, eu sou só lágrimas...
Pois são elas que lavam nossas dores, amores, tristezas, maldades e crueldades... é como as lágrimas de uma Fênix, que cura qualquer ferida. É como um sorriso, eu raiar do dia, uma tempestade, e depois vem a calmaria, depois das lágrimas, vem a calmaria.
No fundo sou só amor...
Um amor pela vida, e todos somos amor, senão, não haveria viver, não haveria morrer, não haveria luta, nem dor, nem alegrias, nem vida. Sou um amor pelo outro. Sou, somos, a somatória de todos os tipos de amor existente, seja amor de mãe, de pai, de amigo, amor de amor... seja qualquer que seja, é uma somatória, que move, que faz mover e viver a máquina humana...
No fundo sou só alegria....
Por que ela é algo passageira. É uma gota que cai. É um raio de luz que brilha do sol. É um sorriso É um dia belo... É uma consciência... É uma explosão
No fundo, sou só luta....
No fundo sou só Carbono, sou só Nitrogênio, Potássio, e água... e átomos...
No fundo, sou só humana...
E no fundo, sou só um piscar de olhos....
E num piscar de olhos, sou só pó...
terça-feira, 26 de julho de 2011
Uma visita ao condomínio eterno....
Uma das irmãs queria fazer algo, que só poderia ser feito naquela cidade....
A outra não teve coragem de fazer quando eve oportunidade, mais aquela era a oportunidade, aquele era o momento certo.
As duas garotas saíram com o pai naquela manhã de sábado. O dia estava mais lindo que possível.
O trio entrou no carro e seguiram em direção ao destino.
O pai parou o carro no mesmo local onde havia parado à dois meses antes. Eles entraram. Caminharam pelos túmulos, procurando o túmulo ao qual o avô havia sido enterrado. Após alguma procura, rápida, o pai encontrou. Era um túmulo grande, simples, ao qual guardava morada dos membros da família. Naquele momento, uma delas sentiu realmente que o avô estava bem, estava melhor do que nunca estivera.
Ela sentiu a brisa leve que passava, parecia que ele estava lá, acalentando os corações das netas. Era uma brisa que aliviava o calor da manhã e parecia ter o objetivo de acalmar. Sentiu também a leveza do lugar. Apesar de ser um cemitério, possuía uma leveza, uma paz, como se os espíritos daquelas pessoas esperassem a visita de seus parentes, como se quisessem acalmá-los de suas dores, de suas perdas... como se o ambiente fosse próprio.
O vaso de flores feitas de plástico chamou a atenção da menina. Qual o objetivo real daquele vaso no túmulo?
Seria eternizar a imagem dos mortos? Ela tinha certeza que não. Para ela, uma flor verdadeira valia mais que uma falsa. Para ela, flores falsas eram como abandono, como se o ato de visitar o túmulo, fosse uma obrigação, e aquelas flores simbolizassem o fim dessa obrigação... não visitar, não trocar as flores... não ter que ir....
Ela pensou no avô.. pensou no por que ele estava enterrado lá, por estava junto da família a quem havia brigado, pensou na família, lembrou dos momentos com ele... sentiu sua falta... mais parecia que ele ainda estava lá, naquela brisa, naquelas nuvens, naquele sol lindo.... parecia que ele se transformara na paz encontrada a casa dele agora... sim, ele ainda estava lá....
Após um certo período, o pai às chamou. O pai mostrou o túmulo de seus padrinho... um homem bom...
depois caminharam até a porta... o pai fez alguns comentários sobre condomínio eterno, festa que os mortos deveriam fazer a noite... algumas gracinhas como de costume... então, entraram no carro e seguira para a antiga casa do morto.
domingo, 17 de julho de 2011
Trechos de compatibilidade
Faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver ...
faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos...
faz de conta que ela não estava chorando por dentro — pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver...
era bom aquele sistema que Ulisses inventara: o que não soubesse ou não pudesse dizer, escreveria e lhe daria o papel mudamente — mas dessa vez não havia sequer o que contar...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
havia também algo em seus olhos pintados que dizia com melancolia: decifra-me, meu amor, ou serei obrigada a devorar...
Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranqüilizou foi o que tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era, tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase insensível à mulher.
Bem, suspirou ela, se não vinha clara, pelo menos sabia que havia um sentido secreto das coisas da vida. De tal modo sabia que às vezes, embora confusa, terminava pressentindo a perfeição — de novo esses pensamentos, que de algum modo usava como lembrete (de que, por causa da perfeição que existia, ela terminaria acertando) — mais uma vez o lembrete agiu nela e com seus olhos ainda escuros agora pelo pensamento perturbado, decidiu que veria Ulisses pelo menos mais esta vez.
E não era porque ele esperava por ela, pois muitas vezes Lóri, contando com a já insultuosa paciência de Ulisses, faltava sem avisar-lhe nada: mas à idéia de que a paciência de Ulisses se esgotaria, a mão subiu-lhe à garganta tentando estancar uma angústia parecida com a que sentia quando se perguntava "quem sou eu? quem é Ulisses? quem são as pessoas?" Era como se Ulisses tivesse uma resposta para tudo isso e resolvesse não dá-la — e agora a angústia vinha porque de novo descobria que precisava de Ulisses, o que a desesperava — queria poder continuar a vê-lo, mas sem precisar tão violentamente dele.
Ps: Trechos do livro "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" de Clarice Listector; diz muito sobre o momento...
faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos...
faz de conta que ela não estava chorando por dentro — pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver...
era bom aquele sistema que Ulisses inventara: o que não soubesse ou não pudesse dizer, escreveria e lhe daria o papel mudamente — mas dessa vez não havia sequer o que contar...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
havia também algo em seus olhos pintados que dizia com melancolia: decifra-me, meu amor, ou serei obrigada a devorar...
Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranqüilizou foi o que tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era, tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase insensível à mulher.
Bem, suspirou ela, se não vinha clara, pelo menos sabia que havia um sentido secreto das coisas da vida. De tal modo sabia que às vezes, embora confusa, terminava pressentindo a perfeição — de novo esses pensamentos, que de algum modo usava como lembrete (de que, por causa da perfeição que existia, ela terminaria acertando) — mais uma vez o lembrete agiu nela e com seus olhos ainda escuros agora pelo pensamento perturbado, decidiu que veria Ulisses pelo menos mais esta vez.
E não era porque ele esperava por ela, pois muitas vezes Lóri, contando com a já insultuosa paciência de Ulisses, faltava sem avisar-lhe nada: mas à idéia de que a paciência de Ulisses se esgotaria, a mão subiu-lhe à garganta tentando estancar uma angústia parecida com a que sentia quando se perguntava "quem sou eu? quem é Ulisses? quem são as pessoas?" Era como se Ulisses tivesse uma resposta para tudo isso e resolvesse não dá-la — e agora a angústia vinha porque de novo descobria que precisava de Ulisses, o que a desesperava — queria poder continuar a vê-lo, mas sem precisar tão violentamente dele.
Ps: Trechos do livro "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" de Clarice Listector; diz muito sobre o momento...
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Na solidão da escuridão....
Ela desceu do ônibus naquela tarde meio atordoada, meio angustiada, com vontade de sumir, de não chegar em casa, de não enfrentar o que viria pela frente, se realmente acontecesse, não gostaria de enfrentar.... caminhou pela rua, pensando, pensando em quem estava se tornando... desceu, virou a rua, subiu, caminhou... chegou na esquina de casa.O vizinho estva cortando os galhos de ma árvore velha. Quando passou por baixo do gigantesco galho que estava send contado, desejou desesperadamente que esse único galho caísse sobre sua cabeça e pusesse fim à sua angústia e sofrimento. Alguns passos adiante, o galho caiu atrás de si, por um triz. Dias depois, ao cozinhar cortando cebola, desejou que aquela faca, com sua lâmina afiada desejou que esse metal, frio, extremamente cortante, cortasse diametralmente seus dedos, mas feliz ou infelizmente a lâmina cortou apenas a cebola e alguns alimentos a mais. Mais alguns dias a frente, ao entrar no local de estudos, perante à angústia que a alimentava e a corroesse dia-a-dia. Entrou, passou pela porta, e nesse instante, ouvi brulhos semelhante as tiros. Desejou que aquele barulho realmente fosse balas saídas de uma arma, que ultrapassasse todos os muros, barreiras, e que chegasse ao seu peito com se acabassem de sair da arma. Sentiu que enlouquecera. Buscava desesperadamente algo de bom, algo que a salvasse, que a fizesse sentir algo de bom dentro de si novamente. Buscou à fé. Buscou ao livros. Buscou tudo. Num ultimo dia, numa festa em sua casa, ao seu fim, um barulho semelhante foi ouvido. Na solidão da noite, ela a Lua e os sons, semelhante a tiros. Depois, silêncio....
Um pensamento, uma luz...
no fim, os barulhos foram só de estouros das bexigas penduradas.
Os resquícios das bexigas ficaram sob o chão. E ela vi, novamente, naquele resto de bexiga, a luz para sua consciência.
Um pensamento, uma luz...
no fim, os barulhos foram só de estouros das bexigas penduradas.
Os resquícios das bexigas ficaram sob o chão. E ela vi, novamente, naquele resto de bexiga, a luz para sua consciência.
sábado, 25 de junho de 2011
Letras e números, números e letras....
Letras e números. Ambos, minha paixão. É claro que não sou que nem uma mãe, nem como um pai que ama igualmente a seus filhos. Eu fiz uma escolha. escolhi como profissão, os números. Mais para viver, escolhi as letras. Não são os números que explicam a crueldade do Mundo. Eles apenas mostram dados que comprovam o que as letras me dizem. Peço perdão aos números por amar demais as letras. E às letras, por abandoná-los quando prefiro dar atenção aos números. Nas noites que troco os livros literários pelos pelos livros exatos. Oh!Eu não tenho culpa do meu interior ter nascido exato, e o gosto pelas letras se firmou em mim quando pequena, com o primeiro livro clássico que eu li, "Memórias Póstumas de Brás Cubas", - filha, pegue e leia este livro, você vai gostar, é de um homem que morre, e depois de morto, resolve contar sua história.- Por mais irônico que pareça, quem deu inicio a faísca literária em mim, não foi minha mãe, uma amante das letras, e sim o meu pai, um amante dos números. E por mais incrível que pareça, foram os dois que disseram não, pra profissão literária que eu havia escolhido. A vida é uma caixinha de surpresas e temos que tomar cuidado com ela. O Mundo não é tão literário quanto gostaria, e os governos temem o pensar, temem o questionar dos livros, temem sua liberdade. Por isso, escolhem a exatidão, escolhem aplicar o não pensar, o repetir, praticar, rotinar.Ah! Livros, me perdoem por abandoná-los. E números, me perdoem por sentir tanta a falta das letras. Em vocês, números, posso provar tudo, todos os fenômenos, todas as fórmulas, toda a natureza. Com as letras, posso provar o homem, posso me provar e me libertar, me encontrar, e localizar. É linda essa liberdade existente entre vocês e a relação existente. No mais, peço licença para adorá-los, e atencionar a uns mais que outros.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Um sufocamento no ônibus
Eu realmente estava feliz aquele dia. Tudo estava indo bem, o dia estava belo, o ar era leve, e parecia que teria um fim de dia perfeito. Mais, quando entrei no ônibus para ir para casa, uma mulher se sentou perto de mim, o suficiente para que eu ouvisse sua conversa. Aquela mulher começou a me sufocar, com suas palavras e com o ar pesado que espalhava. Apesar de parecer uma bela história, algo nela me tirava o ar, me sufocava, bloqueava meus pulmões e me impedia de sentir a alegria de antes... Por quanto tempo eu ainda teria que aguentá-la? seria muito? seria o suficiente para me roubar toda a alegria e leveza que eu sentira a pouco? Só o depois poderia me dizer. Quando chegou o ponto, desci, e respirei fundo... esta livre. Depois disso, me veio uma onda de alívio, raiva, tristeza, angústia, que foram se misturando, equilibrando, e estabilizou. Quando cheguei em casa, a alegria volto. Pulei, contei minha alegria, e esqueci momentaneamente aquela mulher. Liguei o Chico para relaxar.
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