domingo, 20 de novembro de 2011

A rosa florescendo

Leitor, meu querido,
se lembra daquela semente,
feinha, toda marcada,
que um dia eu plantei?
Pois bem, meu leitor,
sinto uma grande felicidade, hoje,
pois senti alguma flor nascer:
pequena, da cor azul,
esta flor está se formando em mim!
Eu sei que é muito cedo ainda,
para que eu possa dizer, ao certo,
o quanto eu confio nela!
Fato é que, ao sentir o florescimento,
as pequenas pétalas me cobriram,
em grande gesto de proteção!
Eu fiz apenas minha obrigação:
cuidar do que me foi dado;
hoje, sinto os primeiros frutos nascerem…
e deixo meu coração se guiar
por essa semente da amizade.
Eu sei como lhe dói confiar,
pois eu conheço seu passado terrível;
com o tempo, e muito cuidar,
mostrar-lhe-ei meu bom ser,
dar-lhe-ei todas as provas necessárias
para que sempre confie em mim.
Eu sou um jovem jardineiros, eu sei,
mas de uma coisinha eu tenho certeza:
eu aprendi que, com sentimentos,
eu não posso lidar, que tudo tem seu tempo!
Apenas digo uma coisa, rosa:
o que estou te dando, em pouco tempo,
é a prova de que confio que, seus espinhos,
jamais ferirão meu coração.
Sei como é duro ser uma rosa, ter espinhos,
eu só quero que estes sejam saudáveis,
e que meus gestos de confiança
façam com que você se abra,
mantendo a confiança, a mim dada,
ao doar-me, um dia destes,
uma semente tão linda,
que cada dia mais vinga,
formando a amizade
que meus sentimentos apontam!

(Pier Francesco de Maria)



Ps: Este poema é um presente que recebi de um grande e novo amigo, Pier Francesco De Maria... Obrigada! *-*

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Zoomorfismo

Ela esta sentada na janela de seu quarto, vendo a mangueira da casa vizinha. As mangas, ainda verdes despertavam nele um desejo de comê-las, que tomou conta dela, com tal extensão, que não podia controlar. Queria a manga ainda verde, ainda imatura. Queria, com desejo, mordê-la  e arrancar sua casca, fatia por fatia, com a boca, descolando fibra por fibra, sentido, o gosto básico da polpa, ainda verde, o gosto que amarraria sua boca pondo fim ao desejo. E como algo  mais surpreendente ainda, sentiu-se como  uma animal. Queria, não mais uma fruta, queria um corpo, vivo ou morto, mas queria um corpo, e assim, queria tirar sua pele, e descolar suas fibras musculares, e sentir sangue em sua boca.  Queria libertar de si, o ódio que tinha das pessoas com quem ela se importava, mas que não se importavam com ela, queria libertar o ódio do mundo. Queria, não a dor, mais o poder de arrancar sua pele, ver o que há por dentro, ver se há escuridão, se  há bondade. Esse estinto animal, de um leão que rasga sua presa, come sua carne e deixa o resto com o fim de sua fome, a dominou, como  nunca algo a tinho dominado. De alguma forma, ela teria que libertar esse desejo, pois logo ele chegaria, e assim correria o risco de ser atacado, e ela,  mordê-lo, e puxar sua pele e sentir seu sangue, até que o desejo se fosse. Por fim, tocou a campainha. Ela caminhou até a porta. Era ele, ela abriu a porta, sorriu. Ele entrou, ela  fechou a porta....

domingo, 11 de setembro de 2011

Cansada de cansar

Ela estava sentada na cama, vendo o luar, se banhando e se purificando. 
Eu me cansei -disse ela. Se cansou de quê? De que você se cansou, de novo?-perguntou ele, com uma ar de cansaço.Ah! me cansei de me cansar, me cansei de mim, me cansei dos vizinhos, de hipocrisia deles, da inveja dele, me cansei do Mundo, da sua maldade, da sua fome, da fome do homem, me cansei de sua falta de ideais, me cansei dessa manipulação... Me cansei desse se apaixonar por um corpo, por uma imagem, me cansei de tudo, me cansei de você... De mim? por que você se cansa de mim sempre que se cansa de algo? Por que você não me ama mais, por que eu já não sou aquela que você amou um dia... Você está louca, te amo igualmente todos os dias. Sim, acho que estou louca, e acho, que faz muito tempo, nós que não percebemos, eu que não percebi, mas fui me fechando, e agora vivo nesse escuro, nesse escuro iluminado... Eu não te entendo, eu vou te ignorar, por que amanhã você volta e depois, volta a isso, mas, eu  vou fingir que você não está assim... ... ... ...
Eu vivo nesse escuro, por que eu vivo no claro, eu vejo tudo, vejo eles cochichando, olhando com desdem, fofocando, se olhando com raiva por trás e depois fingindo se amar.... sem ideologias, pessoas que nascem com caras de abortadas, que querem o que não tem... não mudam, não amam... eu vejo tudo isso... e isso me sufoca... me mata dia-a-dia. Você não me entende, nunca entendeu, nem vai entender. Você entende minha cabeça, meus lapsos de consciência, meus vazios... Sim, fui quem você amou, admirou, mais aquela lá morreu, você que não viu, nem foi ao enterro dela... dela só resta pó... E o que você quer que eu faça? o que você quer de mim, quer eu eu vá embora, é isso, pra amanhã você me procurar?...  Eu quero que você se foda!!        Quer saber? você não vai durar muito, louca assim, se dizendo consciente do mundo, você dura pouco, por que a dor vai te corroer, corroer, e depois, a dor será tanta, que você não vai aguentar e vai se matar! foda-se, você!    Ele pegou suas coisas e nunca mais voltou. Quando o namorado saiu, se sentiu leva, depois sozinha, depois triste. Depois de algum tempo, se levantou, e saiu também. 

sábado, 27 de agosto de 2011

E no fundo, sou só pó

No fundo, eu sou solidão...
todos somos, senão uma solidão só, e uma escuridão só.... pois, por mais alegre e feliz que uma pessoa pareça, por mais bela, e completa, ela sempre terá um fundo de escuridão, dores e solidão dentro de si...
Sempre haverá solidão, dores, cortes  físicos não existentes, por que, ser humano, pelo que me parece, é assim, nada o contenta, nada o felicita eternamente.
E no fundo, eu sou  só tristeza...
Por que a tristeza, é senão, um estado natural do ser humano... apenas isso... e disso vem a sua busca... pela doce e tesourífica alegria... disso vem o que o move, o que me move.
E no fundo, eu sou só lágrimas...
Pois são elas que lavam nossas dores, amores, tristezas, maldades e crueldades... é como as lágrimas de uma Fênix, que cura qualquer ferida. É como um sorriso, eu raiar do dia, uma tempestade, e depois vem a calmaria, depois das lágrimas, vem a calmaria.
No fundo sou só amor...
Um amor pela vida, e todos somos amor, senão, não haveria viver, não haveria morrer, não haveria luta, nem dor, nem alegrias, nem vida. Sou um amor pelo outro. Sou, somos, a somatória de todos os tipos de amor existente, seja amor de mãe, de pai, de amigo, amor de amor... seja qualquer que seja, é uma somatória, que move, que faz mover e viver a máquina humana...
No fundo sou só alegria....
Por que ela é algo passageira. É uma gota que cai. É um raio de luz que brilha do sol. É um sorriso É um dia belo... É uma consciência... É uma explosão
No fundo, sou só luta....
No fundo sou só Carbono, sou só Nitrogênio, Potássio, e água... e átomos...
No fundo, sou só humana...
E no fundo, sou só um piscar de olhos....
E num piscar de olhos, sou só pó...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma visita ao condomínio eterno....

Uma das irmãs queria fazer algo, que só poderia ser feito naquela cidade....
A outra não teve coragem de fazer quando eve oportunidade, mais aquela era a oportunidade, aquele era o momento certo.
As duas garotas saíram com o pai naquela manhã de sábado. O dia estava mais lindo que possível. 
O trio entrou no carro e seguiram em direção ao destino.
O pai parou o carro no mesmo local onde havia parado à dois meses antes. Eles entraram. Caminharam pelos túmulos, procurando o túmulo ao qual o avô havia sido enterrado. Após alguma procura, rápida, o pai encontrou. Era um túmulo grande, simples, ao qual guardava morada dos membros da família.  Naquele momento, uma delas sentiu realmente que o avô estava bem, estava melhor do que nunca estivera.
Ela sentiu a brisa leve que passava, parecia que ele estava lá, acalentando os corações  das netas. Era uma brisa que aliviava o calor da manhã e parecia ter o objetivo de acalmar. Sentiu também a leveza do lugar. Apesar de ser um cemitério, possuía uma  leveza, uma paz, como se os espíritos daquelas pessoas esperassem a visita de seus parentes, como  se quisessem acalmá-los de suas dores, de suas perdas... como se o ambiente fosse próprio. 
O vaso de flores feitas de plástico chamou a atenção da menina. Qual o objetivo real daquele vaso no túmulo?
Seria eternizar a imagem dos mortos? Ela tinha certeza que não. Para ela, uma flor verdadeira valia mais que uma falsa. Para ela,  flores falsas eram como abandono, como se o ato de visitar o túmulo, fosse uma obrigação, e aquelas flores simbolizassem o fim dessa obrigação... não visitar, não trocar as flores... não ter que ir.... 
Ela pensou no avô.. pensou no por que ele estava enterrado lá, por estava junto da família a quem havia brigado, pensou na família, lembrou dos momentos com ele... sentiu sua falta... mais parecia que ele ainda estava lá, naquela brisa, naquelas nuvens, naquele sol lindo.... parecia que ele se transformara na paz encontrada a casa dele agora... sim, ele ainda estava lá....
Após um certo período, o pai às chamou. O pai mostrou o túmulo de seus padrinho... um homem bom...
depois caminharam até a porta... o pai fez alguns comentários sobre condomínio  eterno, festa que os mortos deveriam fazer a noite... algumas gracinhas como de costume... então, entraram no carro e seguira para a antiga casa do morto. 

domingo, 17 de julho de 2011

Trechos de compatibilidade

 Faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver ...
faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos...
faz de conta que ela não estava chorando por dentro — pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver...
era bom aquele sistema que Ulisses inventara: o que não soubesse ou não pudesse dizer, escreveria e lhe daria o papel mudamente — mas dessa vez não havia sequer o que contar...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
havia também algo em seus olhos pintados que dizia com melancolia: decifra-me, meu amor, ou serei obrigada a devorar...

Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranqüilizou foi o que tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era, tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase insensível à mulher.
         Bem, suspirou ela, se não vinha clara, pelo menos sabia que havia um sentido secreto das coisas da vida. De tal modo sabia que às vezes, embora confusa, terminava pressentindo a perfeição — de novo esses pensamentos, que de algum modo usava como lembrete (de que, por causa da perfeição que existia, ela terminaria acertando) — mais uma vez o lembrete agiu nela e com seus olhos ainda escuros agora pelo pensamento perturbado, decidiu que veria Ulisses pelo menos mais esta vez.
         E não era porque ele esperava por ela, pois muitas vezes Lóri, contando com a já insultuosa paciência de Ulisses, faltava sem avisar-lhe nada: mas à idéia de que a paciência de Ulisses se esgotaria, a mão subiu-lhe à garganta tentando estancar uma angústia parecida com a que sentia quando se perguntava "quem sou eu? quem é Ulisses? quem são as pessoas?" Era como se Ulisses tivesse uma resposta para tudo isso e resolvesse não dá-la — e agora a angústia vinha porque de novo descobria que precisava de Ulisses, o que a desesperava — queria poder continuar a vê-lo, mas sem precisar tão violentamente dele.




Ps: Trechos do livro "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" de Clarice Listector; diz muito sobre o momento...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Na solidão da escuridão....

Ela desceu do ônibus naquela tarde meio atordoada, meio angustiada, com vontade de sumir, de não chegar em casa, de não enfrentar o que viria pela frente, se realmente acontecesse, não gostaria de enfrentar.... caminhou pela rua, pensando, pensando em quem estava se tornando... desceu, virou a rua, subiu, caminhou... chegou na  esquina de casa.O vizinho estva cortando os galhos de ma árvore velha. Quando passou por baixo do gigantesco galho que estava send contado, desejou desesperadamente que esse único galho caísse sobre sua cabeça e pusesse fim à sua angústia e sofrimento. Alguns passos adiante, o galho caiu atrás de si, por um triz. Dias depois, ao cozinhar cortando cebola, desejou que aquela faca, com sua lâmina afiada desejou que esse metal, frio, extremamente cortante, cortasse diametralmente seus dedos, mas feliz ou infelizmente a lâmina cortou apenas a cebola e alguns alimentos a mais. Mais alguns dias a frente, ao entrar no local de estudos, perante à angústia que a alimentava e a corroesse dia-a-dia. Entrou, passou pela porta, e nesse instante, ouvi brulhos semelhante as tiros. Desejou que aquele barulho realmente fosse balas saídas de uma arma, que ultrapassasse todos os muros, barreiras, e que chegasse ao seu peito com se acabassem de sair da arma. Sentiu que enlouquecera. Buscava desesperadamente algo de bom, algo que a salvasse, que a fizesse sentir algo de bom dentro de si novamente. Buscou à fé. Buscou ao livros. Buscou tudo. Num ultimo dia, numa festa em sua casa, ao seu fim, um barulho semelhante foi ouvido. Na solidão da  noite, ela a Lua e os sons,  semelhante a tiros. Depois, silêncio....




Um pensamento, uma luz...  


no fim, os barulhos foram só de estouros das bexigas penduradas. 
Os resquícios das bexigas ficaram sob o chão. E ela vi, novamente, naquele resto de bexiga, a luz para sua consciência.