sábado, 19 de julho de 2014

Bagunça

Era um dia comum em casa, acordei, me lavei, me troquei e saí. Saí para o mercado para comprar ingredientes para o prato preferido deles. No mercado, peguei tudo que precisava, paguei a compra e fui caminhando pela rua ao invés de pegar o metrô. Quando cheguei em casa, vi a casa toda bagunçada, lixos pelo chão, móveis fora do lugar e ele sentado na cama. Perguntei a ele porque a casa estava daquele jeito e ele me disse que estava assim há uns dias, me assustei. Saí andando pela casa, me perguntando como tinha chegado àquele ponto. Meu companheiro se levantou e começou a me contar e explicar que eu estava diferente, que tinha deixado a casa e tudo estava daquele jeito, triste, por minha causa. Fiquei sem reação, chocada, aos prantos, não sabia o que fazer... Ele, com toda calma me pediu explicações, me disse que estava ferido e que precisávamos de ajuda. Ele estaria alí para ajudar. Ele começou a me ajudar com a organização da casa até o final e quando terminamos, tudo estava cheio de esperança, com a luz da tarde entrando e muito amor no ar. Retomaríamos nossos sonhos, nossos planos! Amor e esperança presentes na casa e em nossos corações. Eu te amo!

domingo, 11 de maio de 2014

O jardineiro e seu jardim

Eu era como um jardim frio
Um jardim no inverno, na escuridão.
Não havia luz, não havia Sol, 
Não havia esperança de um verão.

Eu me achava um jardim feio e seco, 
Eu me achava como uma casa sem atrativos, sem calor.
Então, como se fosse ação da vida,
O destino fez você brilhar em mim.
Você, que também estava sem vida,
resolveu agir em mim, 
E juntos fizemos maravilhas nesse jardim.

Você me acolheu, semeou a terra, 
Podou as flores velhas, irrigou todo o jardim
E cuidou da rosa do jardim
Hoje, eu tenho minhas flores bem cuidadas, 
E eu te dou todo amor e acolhimento que precisa.

Você é o jardineiro para quem o meu jardim foi feito
E é por você que o jardim luta para ser o mais simples 
E atender às tuas necessidades para se manter livre e feliz,
Pois é tua felicidade e liberdade que te manter lindo e quente assim,
E é o que eu busco te dar, amor, liberdade e alegria.

Podemos deitar na grama e ver quão lindo o jardim está
E quão fortes estão os frutos deste jardim.
Temos frutos suculentos, temos flores e animais
Todos se sentem em casa ao te ver e ao sentir teu toque.

Meu amado jardineiro, o jardim de hoje é grato pelo amor dedicado.
O jardim só aceita a ti como mestre e só quer a ti.

E hoje, em comunhão e alegria
Eu me sento contigo na grama e observamos, juntos,
A maravilha de casa que temos e somos.
Hoje, sou um jardim, cuja felicidade só existe,
Com a presença do jovem jardineiro. 

Você encontrou seu lar, você encontrou a sua casa.
E eu encontrei a felicidade que procurava. 

(Uma poesia para o homem mais lindo do mundo, o homem que me deu amor e me deu vida novamente! Eu te amo, meu menininho!)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A simples sensação da tua pele

       Eu te vejo chegar de longe, caminhando pelo jardim. Você está tão lindo e leve, parece tão feliz. Você se aproxima de mim como veio no nosso primeiro almoço, tão iluminado pelo Sol e tão... Sol, meu Sol e minha Lua. E você se aproxima, sorrindo lindamente e beija minha testa. E fico te olhando, simplesmente te olhando. Olho teus olhos doces a me olhar, sua boca macia e única, capaz de me enlouquecer. De repente eu sinto o calor dos teus braços me envolver e me aproximar de ti com todo seu amor a me aquecer e os teus olhos a me envolver. Esses olhos tão quentes e doces, e ao mesmo tempo tão cheios de vida.
       É no som das flores e do jardim e no ritmo do amor que você me embala no seu corpo. Num piscar de olhos, sinto sua pele com a minha e sinto seu cheiro. Meus lábios de aproximam da sua pele e sinto seu perfume doce e envolvente que entra nos poros do meu corpo e me completa. E eu te beijo vagarosamente por todo o corpo e te dou todo meu amor. Te olhando assim, comigo, eu me pergunto como pode o amor ser tão forte assim e fazer a gente se entregar dia a dia a uma pessoa. O amor nos faz querer andar juntos como da primeira vez. Ah, meu amor! te vendo descansar em meio às rosas, vejo como é grande o meu amor e como é linda essa união. 
       A sensação de tocar a tua pele é algo como uma troca de energias e sensações, é algo inexplicável e que só eu sei. O tocar sua pele, sentir o cheiro do seu corpo, sentir o evaporar da água após o banho, o tocar teus pés, teus cabelos e sentir o simples de você, são as coisas mais simples que eu amor pode fazer perceber e sentir. O simples só é visto pelo amor e a real beleza só é mostrada pelo amor e só pode ver a pessoa que ama. Eu desejo sempre sentir você e te passar o meu amor. Eu sinto que eu te amo desde o primeiro momento que te vi. Eu te amo, Pier! 


terça-feira, 17 de julho de 2012

7 Velas

Olho pra você, nesta penumbra que é o nosso quarto. De onde estou, deitada em teu peito, sinto teu corpo colado no meu, sinto tua pele macia, sinto teu calor passando do teu corpo para o meu. Enquanto você dorme, eu te guardo, te zelo. Guio os sonhos de um anjo. Eu fecho meus olhos e te sinto, sinto cada pedaço teu em mim, cada respiração tua, sinto teu hálito doce e tua respiração quente que passa em meu rosto. Fecho os olhos e sinto teu perfume misturado com o cheio doce das velas queimadas e o aroma de lavanda que espalhamos pelo quarto. Atento para o som da brisa que passa pela janela e ouço a ausência sentida da música já sessada. A pouco, você cantou pra mim e eu chorei. Chorei de emoção, chorei de alegria em estar nos teus braços, chorei por sentir que precisava chorar, caso contrário eu explodiria de amor e de emoção. Sabe meu amor, a pouco preparamos o nosso quarto com sete velhas ao sedor da cama, essência de lavanda, música e amor. E com essa simplicidade de cenário, vivemos o nosso amor. 
Como eu posso não te amar? Eu linda e simplesmente te amo. Eu te amo por ser o sorriso das minhas manhãs, por me fazer criança, ser minha criança e assim me dar vida. Eu te amo, por simplesmente amar e esse simples amar me completa.Me dá a vida que eu desconhecia e que não tinha antes de você, vida que só conheci com a cor doce dos teus olhos caramelados e o doce dos teus lábios, vida que só teu sorrio me dá. 
Eu te amo pela dependência de vida que esse amor me dá, de te amar e ser feliz ao teu lado, ser feliz com teus sorrisos doces e esplendorosos e teus beijos doces. Beijos dados por uma boca que encaixa na minha com perfeição. Essa tal simplicidade que necessitamos para viver é o mais puro e concreto lugar pra se construir nossa vida, com nossos filhos, nossos sonhos realizados e nosso amor vivido a cada dia. É nela que construímos nossa casa, com nosso jardim. 
E agora, aqui, deitada em teu peito eu vejo que você é minha vida, minha paz, é a parte que faltava e que não tinha e poder contornar teus traços com meus dedos, sentir você em mim é o que eu quero ter até o ultimo dia e instante de nossas vidas. Eu encosto minha cabeça em teu peito e ouço teu coração batendo forte, força que nosso amor nos dá. E com esse som, com esse calor, com esse corpo junto do meu, quero dormir  e viver por toda a minha vida. E assim, como quero fazer todas as noites, te abraço forte, deito minha cabeça em teu tronco e adormeço para te encontrar em nossos sonhos pelo jardim. 

 Eu te amo, Pier.
   Da sua Léa.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Uma vida [2]

...e faço os dias passarem com vontade. Toda noite espero você, ao calor da lareira, com a Peggy no colo: quando você chega, me beija docemente, prepara um pudim delicioso, e me canta músicas que nós tanto amamos.

Voltei do trabalho hoje, e te encontrei dormindo, naquele banco, hoje almofadado, com a nossa cachorrinha em teu peito! Não cozinhei, não cantei, até você acordar: me sentei ao teu lado, sussurrei no teu ouvido "as 31 rosas do jardim são suas...", bem devagar. Você acordou dizendo "e o único cravo que está aí é meu", e mais e mais cantamos juntos, até o dia virar, e virar.

Não sei que dia é hoje, quantos anos tenho, ou se ainda tenho forças para empreender um novo curso, ou uma viagem ao redor do mundo. Outrossim, sei de nada, apenas sei que nada sou, sem você, e tampouco sei se é nosso vigésimo ano de casamento, ou se sequer noivamos... Me importo com a tua presença, e o dia se perpetua, enquanto o campo de rosas (sem espinhos!) cresce forte e nos dá energias para viver.

Mas, uma coisa eu sei: que dia lindo o de ontem, quando o amor fizemos - ou melhor, criamos! - pela primeira vez. Pela primeira vez eu plantei uma rosa em teu jardim, que só eu conheço, e ela está crescendo, até que, um dia, dê origem a um pandinha, como eu e você, cheio de força e coragem, enquanto nós estaremos plantando mais uma rosa em nosso jardim, perto daquele banco, no qual sentamos a primeira vez...

(continua)

sábado, 2 de junho de 2012

Uma vida

Eu escolhi aquele cantinho, tão quente para nós. E senti que você não viveria mais naquele corpo. A Leandra sim, a Léa não: não mais. E sentei naquela cadeira com você, e perdi meu medo e você também. Peguei todo o mal em você e fiz uma limpeza: toda tristeza, toda dor, toda insegurança e desconfiança eu devorei com meus lábios. Devorei tudo e alimentei minhas forças, e dei-te forças para continuar forte e linda e bela.

E comecei a falar, e nunca mais parei: tomei conta de você, me empossei de seu corpo e mente, para de ti cuidar mais docemente. E consegui: eu me dediquei totalmente a você, e hoje me dedico mais que nunca. Olho você e quero te devorar, mas não fisicamente; muito mais quero eu te devorar com minha alma, para te proteger e te cuidar.

Eu vi aquele banquinho hoje, e senti o meu peito explodir... deitei nele e você deitou em mim, e as horas voaram mas nunca acabaram, pois somos completa e perdidamente apaixonados um pelo outro. Não faço a menos de uma vida a dois com você, só com você (e com nossa cachorrinha)...

(continua)

domingo, 13 de maio de 2012

Te vendo dormir

Nessa escuridão desse comodo, eu e você. Neste nosso mundo. Não é por que ele seja, claro e escuro, assim que não seja lindo. Eu vejo, você e você me vê perfeitamente. Eu posso ver os detalhes do seu rosto, dos seus olhos, posso ver os detalhes da tua boca perfeita e doce, ver sua mão pousada sobre o travesseiro enquanto dorme; eu posso ver o seu interior e a sua paz, que é minha também. Eu te vejo daqui da janela, te vejo dormir, e te vejo docemente sonhar com o sonhável, com  o simples e com o belo. Eu te vejo agora, sob a luz do luar.Aquela grama combina bem com você, amor. Combina com a tua pele, com teus cabelos. E o Sol, o Sol de fim de tarde, com os seus raios são como ativador dos teus olhos. Te dá cores que não são vistas por qualquer um, apenas eu posso ver. Naquela tarde, amor, aquele banco me chamava. Chamava nós dois, pois ele queria sentir um pouco do nosso amor ter um pouco da nossa felicidade. Então, o banco me chamou, e eu te chamei, e nós fomos. Você se ajeitou, e se sentou ao meu lado. Depois, cansado, deitou-se em meu colo. Minha se pôs a descansar em seu peito, você fechou os olhos e eu te observei e mexi docemente em teus cabelos. Eu observo cada detalhe do teu rosto, da tua boca, do teu nariz e cada sinal de humanidade que há em você. Eu vejo nas tuas expressões, o teu interior. Te observo. É lindo como a minha mão entre as suas fica tão perfeito. É doce e calmo sentir o teu calor, tão espontâneo, serve para você e sobra pra mim. É doce observar que a tua mão quente equilibra com a minha mão  fria, e que a sua barriga fria equilibra a minha quente. E assim, tocando a minha barriga quente aquece o meu interior. E as tuas doces palavras, vão saindo da tua doce boca, quando você repousa em meu colo. Do nada, você se levanta e me olha. Me encanta. Você em parceria com o Sol e a grama, se aprontam a me fascinar com a cor dos teus olhos, os olhos de cor de mel, os olhos que me adoçam; e com a cor verde da grama que contrasta com a tua pele branca e macia. Eu fecho os olhos e sinto teu corpo, ouço a natureza cantando pra nós a Ópera dos pássaros. E não contente com a fascinação iniciada, você continua, mas me fascina com o doce dos teus lábios. E nessa fascinação, nesse encantamento, nesse momento de alimentação de almas, nós dois saímos do mundo, e vamos pra casa. Depois de muito aproveitar a casa, um nos braços do outro, sempre voltamos e sentimos o mundo de novo. Depois de horas, que parecem segundos, obrigados a voltar, voltamos. 

Antes daquela manhã na biblioteca, eu era alguém que se achava Macabéa e simplesmente se achava prestes a ser atropelada por um Mercedes amarelo e ter seu fim posto ao fim. E de fato, posso dizer que era uma Macabéa, e que fui atropelada por um Mercedes, mas dele saiu você, e eu realmente tive o destino do qual a cartomante se referiu. De uma tristeza e vazio passou rapidamente para uma completude que aquela manhã serviu como para que completar até a boca e fechar o recipiente. E foi lacrado com uma ação e com um sim; com um gesto teu, depois de palavras minhas que nem ao menos sabia sobre o que você dizia, eu sentia, e dizia sem saber; você agiu e sentimos. 

Agora eu sou sua. Sempre serei por que nossas almas estão fundidas e seguimos já pela mesma estrada, guiando um ao outro e ajudando um ao outro. Levamos nossa bagagem já  unida e misturada, seguimos pelo caminho, fundidos. Cada árvore pela qual passamos é única, da mesma forma, cada momento, cada beijo é único.Eu posso dizer hoje, te vendo assim, dormindo sob a minha proteção e sob a luz da lua, que o meu futuro é você e que o calor que eu sinto vem de você e faz com que eu queria mais e mais seguir com você por essa estrada. O meu futuro, o meu calor, os calafrios de quando você me beija docemente, é fruto do que eu sinto por você, que é algo infinito, que não acaba, não acaba hoje, nem muito menos amanhã. É eterno. E por fim,  me deito ao teu lado e adormeço sentindo teu halito doce. 

domingo, 29 de abril de 2012

A nossa jornada

Me agrada saber que posso acordar todo dia. E todo dia me agrada não acordar à mesma hora: a mesmice me deixaria embebedado, envenenado pela mesmice de ser mesmice. Gosto de não escovar os dentes, todo dia, antes de tomar café: seja antes, seja depois, nunca uma sequência. 
E assim vou levando meu dia: meu dia vazio de verdades, cheio da verdade. Um dia verdadeiramente intenso, como o beijo, adocicado pelo chá de limão de pouco antes, que cruza meus lábios em sintonia com a música. Aquele suor, permeando teu rosto, é a intensidão que o dia te trouxe, junto com a batida calma e cansada de teu peito, que há dias vive sem descanso.
Mas aí... ele me vê, e bate, bate como tendo dois dias de vida: eu vejo ele, eu sinto ele pulsando em minhas veias, e sei que não é, fisicamente, meu. Mas ele bate, incessante, ele quer se soltar do peito daquela moça que não é a moça que o criou: ele me pede ajuda, e eu sou quem pode ajudá-lo.
E eu tento ajudá-lo, repito à dona dele que ela é solta, que ela tem de voar, alto e longe, sem cansar, mas que sempre pouse no meu jardim, na minha janela, para cantar livre e docemente. Eu a libertei, sentados naquela mesa de biblioteca qualquer (até sei qual a cadeira, a mesa, mas não me vale saber isso, o que me vale é que aconteceu).
E eu a libertei, eu a fiz voar, vi seu canto engrossar, seu sorriso brilhar de vez, e vi seus olhos, pela primeira vez, sem a cortina da dor. Eu havia preenchido o último vazio dela: ela não sabia o que era amar. Nossa, Poeta, quem você é pra falar disso! Sou alguém que já amou, mas amou errado, e aprendeu com o erro de amar errado! Não deixo margem para me julgar, e eu decidi amá-la e cuidá-la, como minha mulher, e não como tua, leitor.
Eu me orgulho do que fizemos, e decidimos ser livres de tudo e de todos. Quem somos? Dois encantados, tão simples quanto isso. Ah! Quem somos, pra vocês? Namorados, se é que vocês têm cacife pra bancar essa definição imposta pelo modelo de sociedade que vocês vivem. Estamos juntos, e pretendemos seguir nossa vida, voando alto e cantando, mas sempre pousando no nosso jardim pra descansar. 
E só deixarei de fazer isto tudo quando meu dia terminar. O dia, para mim, só termina quando acaba o meu fazer, e não quando o relógio marca a nova meia-noite. Meu dia começou há pouco, e quero nunca saber quanto vai durar.

É amor.

O Poeta.

domingo, 15 de abril de 2012

Transbordar

Como pode?
Como pode, você ter esse poder de me fazer transbordar?
Como poder, haver músicas, momentos, poesias tuas, que me fazem transbordar de amor?
A primeira vez que eu transbordei, eu estava enlaçada a você, enlaçada em seu tronco, ouvindo uma música linda, num mundo só nosso, onde a música dizia que eu não te deixaria ir, nunca, e eu mal tinha ideia do que era aquilo, do que era aquela manifestação de amor. 
Tempo depois, após nós nos entregarmos à felicidade; após a descobrirmos. Numa sexta-feira 13, numa biblioteca quase vazia, numa mesa quase vazia, com uma poesia na mão, uma poesia sua, "Te amar de novo". Na noite anterior, eu havia transbordado novamente (com uma outra poesia sua que resolvi ler  pela segunda vez)  e você disse- eu quero fazer esse efeito amanhã - (in)felizmente eu estava feliz demais em te ver, e você não me viu transbordar na sua frente, nem dentro de mim. Então, naquela noite, depois de você já ter ido, eu sentei, coloquei uma das nossas músicas, e transbordei, manchei o papel, manchei meu rosto, eu derreti. 
E me derreti, transbordei no dia seguinte. Como pode, músicas falarem por nós, pelo nosso interior e ser capaz de entrar, invadir e completar-nos e por fim, deixar apenas você? 
Você abaixa a cabeça na  mesa, meus braços te envolvem como numa medida perfeita, um quebra-cabeça, único, como se aquilo fosse pra ser. Como se todo o nosso caminho tivesse sido feito para aquele momento existir, como se cada obstáculo anterior, cada pessoa, cada tristeza, fosse para que fossemos únicos, únicos e capazes de completar o outro. Único, você e especial. Aquele mundo, naquela sala, aquela (in)certeza, aquilo que era pra ser, o mundo gira devagar, gira ao nosso tempo e nós dois tremendo e redescobrindo descobrindo, um beijo. 
Como pode? 
Você, de mansinho, veio, me tirou toda a dor e me preencheu com você, me dando seus olhos, suas mãos, você todo. Esses olhos com de mel, quando ao sol, com esse sorriso nos olhos, essa dedicação. Eu te gravei em mim, meu amor. Eu te gravei e pretendo não apagar. Eu quero você comigo; por que eu gosto de você; gosto de te cuidar; de te amar; te mimar; de ver teus olhos ao sol; te ver à luz da lua, onde cada árvore torta, é linda, cada nuvens é especial, cada sorriso seu é lindo; gosto de andar com você; de beijar suas mãos;cariciar teus cabelos; te ver dormir. 
Como pode, num abraço teu, tudo se esvair, tudo ser paz, leveza e amor, um amor que só é seu. Eu fecho os olhos e te sinto, sinto você em cada toque, cada abraço e cada beijo. Eu te ouço, mesmo te tendo longe; eu sinto teu calor; teu cheiro; tua presença; mesmo você nunca tendo estado aqui. O que é isso, senão amor? Sim, eu amo você e quero você sempre comigo. Nossas estradas não se uniram sem um motivo, e eu quero estar por toda essa estrada a frente, seguindo de mãos dadas às tuas, passando por cada obstáculo, juntos. E quero você, na minha estrada, um levando a bagagem do outro.
Sabe, serei seu lar se quiser, te darei meu colo pra te alimentar, te darei meu mimar, meu amar, meu viver.
Meu amor, o mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você, e eu não te deixarei ir.
Toma, te dou uma caixa, meu coração, e nesta caixa, eu te dou uma estrela, um pássaro, uma rosa, meu coração, e um bilhete: "Toma meu coração, é teu. Te amo".




<3




(F) 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Permutação de Almas

Aquela tarde, meu caro leitor, ela ficou observando-o enquanto ele falava com um amigo.
Ambos parados na escada, ela de frente pra os dois, e o observou. Ele falava com seus gestos característicos, e aquilo era encantador para ela.
 Veja leitor, quão rápido e forte se concretizou essa amizade, tão forte que é vista com preconceito pela sociedade e seus conceitos. Mas, por ser algo verdadeiro, benéfico, e pela forma de pensar de ambos, comentários eram ignorados pois só eles sabiam o que era e como era a amizade deles. O rapaz era uma tal importância na vida dela, uma importância sem valor que a compre. 
Ela o observava enquanto ele  falava e gesticulava, o olhava com admiração e carinho. Após um tempo, ele voltou, sentou-se ao lado seu, e olhou-a com um olhar curioso e no qual havia vida e brilho. Conversaram sobre as coisas que a machucavam naquele momento. Quando ela acabou de falar ele passou o braço por ela e a abraçou, como se lhe algo a puxasse, ela deitou sua cabeça no ombro dele, disse algumas palavras e após isso como se aquele abraço e aquele ombro quente extraísse dela suas lágrimas, lágrimas estas  compostas pela mais pura mistura de sentimentos. Lágrimas de dor e lágrimas de felicidade. Estas por ter perto de si esta criatura mais linda, bela e doce e de sentimentos puros que está ao seu lado, este anjo, e Aquelas, pelas lástimas causadas pela vida.
Nos  braços e abraços quentes dele, ela encontrara o calor que descongelou o que era gelo em seu coração. Gelo este causado pelas feridas do passado, que havia em ambos os corações. Os dois entendem, que após tantas dores, causadas pelo passado, os dois se encontraram por causa de destino. Pode se dizer, que a estrada dos dois, se encontrara num ponto e a partir dali, desse encontro, de uma troca de palavras sentiram que deveriam seguir juntos, um ajudando com a bagagem do outro. 
Em momentos de silêncio, ao se olharem, quando algo precisava ser dito, as palavras eram comidas pelos olhos, não sendo assim necessário o dizer, o sussurrar, pois o dizer já havia mudado pela permutação daquelas duas almas. Dessa forma, a alma de um, que era também a do outro, era alimentada pelas palavras digeridas pelos olhares, bastando apenas o olhar para dizer, para entender. Aquilo para eles, era um sinal de amizade pura e verdadeira, e bastava como prova. Tendo isso como fato concreto, você leitor entenderá o que se sucedeu instantes seguintes.
Numa das trocas de proteção, de abraços, ela abraçou-o o tronco. Ao fazer isso, olhou para os olhos do rapaz, e logo lhe veio à cabeça as palavras dele na noite anterior- "Léa, amanhã, quando eu não estiver olhando, olhe meus olhos"- e olhando discretamente para aqueles olhos castanhos cujo contato com a luz se tornavam de um castanho-mel ela viu, naquela janela da alma, doçura, brilho e alegria e viu além disso, paz. "Seria aquilo mesmo que ela via?" pensou, pois era algo novo visto em olhos que a pouco, houve tanta dor e tristeza. Aquele olhar enchia a alma dela pois por serem um, a felicidade de um era a do outro. 
Perdida naquele olhar, ela se viu olhando o relógio, olhou a hora, 20 minutos, era seu tempo máximo ali. Abraçou-o mais forte. Num instante, os minutos tornaram-se segundos, o tempo passava rápido demais. Ela tinha que ir, mas algo não a deixava ir, ela não queria ir. Então, por necessidade, ela se levantou, abraçou-o forte, o mais forte que pode, pegou suas coisas, e desceu as escadas, mas estaria zelando por ele.



"As 31 rosas do jardim são suas, E há somente um cravo, que é meu"    (F)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Organiser Le Coeur

Uma paz  muito grande, foi o que ela sentiu naquela manhã, quando finalmente terminou de organizar todo o conteúdo de seu passado naquele maleiro do guarda-roupa.
Momentos antes, ela havia resolvido organizar o quarto. Foi quando jogou o par de tênis "All Star" na ultima porta que olhou de relance, o branco traje usado antigamente.Viu a sua pequena bagunça até então adiada. Fechou a porta. Deu apenas um passo e parou. Estava sufocada. Algo a pedia que voltasse, àquele pequeno passo, e que organizasse tudo. Ela abriu com cuidado, com medo de que todos os objetos guardados ali caíssem de seu coração como se tivessem sido apertados e socados lá, obrigados a ali ficar. Olhou com cuidado, planejou. Foi tirando sapato por sapato; caixa por caixa e amontoo-as ao seu lado. Após isso, foi abrindo caixa  por caixas, e vendo, e estudando cada objeto, cada lembrança, cada dor. Algumas, ela pegou, olho, sorriu, analisou. Sorrio para cada objeto, um olhar doce, com saudade. Uns foram para a sacola de lixo. Outros, para a pequena caixa, a qual foi a única que restou das muitas que existiam. Lá, ela achou cada evento, cada sorriso, abraço e lembrança que existiu. Cada dor, mentira, ilusão. Pensou. À ela, seria de maior paz guardar apenas o bom, o que lhe fez mal, ela jogaria no lixo para que não lembassem mais, e não poluíssem mais o coração. Colocou o que era pedido, no lixo. Colocou tudo o que lhe era bom numa caixa e a separou. Então, olhou pra cima. O simbolo de tudo aquilo, deveria ser guardado junto. Aquela veste de estilo grego, branco, com os cordões amarrados, que simbolizava a amizade, um abraço caloroso, naquele momento, estava amarelado e os cordões numa organização confusa. Pegou-a com carinho maior ainda; aquele havia sido por muitos anos, o seu maior refúgio, sua paz e seus sonhos. Tirou com cuidado do cabide,cheirou, sentiu o tecido, apertou o tecido, sentiu o gélido e cuja textura lhe lembrou cada momento importante que havia passado. Dobrou-a  com cuidado e ensacou. Abriu o maleiro, achou um lugar, e lá, guardou tudo, cada embrulho. Todo o seu passado, toda a dor. Um dia, abriria aquele maleiro novamente, mas doerá menos nesse dia. Então, o restante ela organizou no lugar visível, bem no fundo, e fechou a porta, em paz, e leve. 




                       (Leandra Marcondes)
                                       (F)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um céu e uma Lua

"Acorda! Acorda! a gente vai perder o ônibus!"  Foi assim que ela acordada naquela madrugada. 
Depois de muita pressa, pegou suas coisas e juntas,  e as quatro mulheres saíram por aquela manhã. Ela sinceramente não esperava aquela escuridão, aquele negro céu, daquela bela cidade. O observador que as visse, imaginaria um fuga, mas não, não era uma fuga, bem, na verdade, estavam indo para onde deveriam fugir. Ao sair da casa, a primeira coisa que fez, foi olhar o céu, novamente, não imaginava o que veria, porém, o que viu, lhe tirou o fôlego. Não era apenas um céu estrelado. Era um céu especialmente estrelado, onde as estrelas se destacavam, pela falta de iluminação da cidade naquele momento. Uma força a fazia querer parar, e ficar eternamente olhando para aquela beleza da natureza, mas sua avó insistia em apressá-la, mas ela andava e  olhava para o céu, queria guardar aquele céu para si, dentro de si, para sempre lembrar de sua imensidão, de sua intensidade e grandeza. Alguns passos afrente alguém disse, "Olha a lua, que  linda!", ela olhou pro céu, à procura da  lua, mas a viu logo a frente, aquela lua minguante, nítida, bela, e extremamente fascinante. Aquela visão, foi o maior presente que nossa personagem poderia ter ganho naquele dia. Aquele céu, que lhe dizia palavras doces e fortes, que lhe dava força, e confiança, dava esperança. Aquela lua, parecia seu interior, meio cheio, meio vazio, mas ainda estava cheio, cheio de luz, de vida. Os assuntos decorridos depois, diziam sobre o famoso "Cruzeiro do Sul" e outro assuntos que não interessa a mim, nem ao leitor. O que importa, é que aquele céu, naquela manhã, foi o mais lindo e esperançoso céu que a natureza pôde dar a nossa personagem. Lhe indicou, que a vida sempre nos dá motivos para seguir em frente, com o apoio de uma lua e de um céu.

domingo, 27 de novembro de 2011

Ismália do século XXI (2ª Edição)


Então é assim que termina uma vida? Com um corpo frio, sem vida, sem emoção? Onde tudo o que se viveu se acaba num instante. Foi assim que Deus preferiu deixar os corpos de seus filhos na terra? Foi como se eu estivesse segurando uma pedra quando juntei o corpo dele ao meu naquela manhã, num instante derradeiro de loucura. 
Quando acordei, fiquei te olhando Miguel, não quis te acordar, estava decidida, que mudaria, ia dizer que mudaria que tentaria mudar por você. Mas, quando fui beijar seus olhos, não havia calor neles, nem sentido, você não estava mais lá, e sim o que Deus deixou de você pra mim... 
Na noite anterior, não parecia uma noite qualquer, você me abraçou e disse, eu vou estar sempre com você, eu prometo. Mas, a vida não é como planejamos, não é? Deus cria as pessoas, as projeta, manda pra Terra, e quando menos se espera nos tira a pessoa amada, sem explicação nenhuma, nem pedido de desculpas, e é claro que Ele tiraria você de mim, você é um anjo, meu anjo! Que tentava me manter na Terra, enquanto minha loucura me consumia. Você dizia, saia daí, não é aí que está a explicação, não há explicação para o que você procura... O que eu procuro? Não sei, você nunca me disse, agora sai daí, que não está no céu, na lua, ou nas estrelas... Então onde está? Foi no céu que eu a vi... Bem na minha frente, numa noite comum, solitária. Por que ela não aparece de novo... Por quê?  Por que ela não aparece e me diz o porquê dela ter se mostrado, e desaparecido tão de repente. Por que ela não me atende? Por quê?! Se todas as noites eu acordo no meio da noite e peço para que ela apareça e me revele o sentido da minha vida, e por que ela me escolheu para essa loucura. Peço para que ela me liberte dessa loucura de ver o que as outras pessoas não vêem, dessa mesquinhez, crueldade e exploração com que o homem se submete e submete aos outros. Por que eu, se eu nada posso fazer, pois estou dominada pela loucura, a qual foi a única que me amparou para essa missão. Não, eu não posso dizer que ela me deixou sozinha, ela me deu o Miguel. 
Ainda me lembro a primeira vez que eu o vi. Ele não queria a fama dos teatros e sim, o bem e leveza que ele trás. Foi num teste para uma peça minha. Ele logo me encantou, e se aproximou de mim como algo inexplicável, logo se interessou pelo que eu sou e penso, pela minha loucura e estranheza. Logo, já morava comigo. Com muitas rejeições por parte da família dele; eu era mais velha e louca. Mas, ele foi contra todos.  Ele me fazia bem e eu a ele. Ele me equilibrava e concertava. Era o equilíbrio entre a loucura da realidade, a consciência e o ser feliz. Quando eu contei a ele sobre a minha busca, ele me entendeu, não me achou louca como meus pais acharam, não quis se distanciar. Ele apenas disse, um dia você vai encontrar querida, um dia você vai. Ele me dizia, você tem que esquecer um pouco do que é o mundo lá fora e sair um pouco, como antes, se lembra? Íamos ao teatro, saíamos, bebíamos. Às vezes sinto falta daquela época, mais, amo você da mesma forma e te respeito pela sua forma de ver o mundo. Você acaba assustando as pessoas, querida. Mais, as crianças gostam de mim, por que elas ainda não foram formadas e ainda possuem sensibilidade. Elas me vêem como eu sou, não como uma louca, mais é uma pena que um dia elas se tornem adultas. Elas são tão simples e adoráveis... E brincar com elas é a única coisa que vale a pena ser feita. Principalmente aquelas abandonadas e rejeitadas. É uma pena, por que essas sim são uma salvação, elas terão bom coração por muito tempo, mas ninguém vê. 
Agora, que adianta sair, se eu vou me lembrar dele, se o que restou dele agora está apenas em mim. Suas manias, cigarros, telas, desenhos, suas palavras, seu calor, seu cheiro. Do quer adianta? A família dele veio aqui e levou tudo que lhe pertencia, mais não levou o mais precioso; as lembranças, os momentos, os abraços, os beijos e o amor, o nosso amor. Ah! Como me faz falta, se abraço acolhedor, seu calor, seu carinho. Como eu queria tê-lo só mais uma vez perto, de mim, para tirar de mim essa angústia que me toma! Só ele a tiraria de mim agora. Eu deitaria em seu colo e choraria, deixaria tudo lá, na sua pele, para que ele organizasse e arquivasse para mim, mais ele se foi. 
Quem sabe se Ela pode tirar essa angústia de mim,eu não suporto mais esse sentimento que me acompanha, essa solidão, essa realidade nua e crua que Deus me mostra todos os dias quando eu olho pela janela. Quem sabe se eu me ajoelhar e rezar, ela não vem? “Ave-Maria, cheia de graça...” (apareça!) (Arranque isso de mim! Eu não quero mais!) E eu peço! Mais Ela não vem. Talvez ela queira que eu vá ao seu encontro, ao encontro do Miguel. Sim, é claro! Ela me tirou dele para que eu fosse ao seu encontro... Ah! Agora posso vê-la novamente. Vestida de branco, com manto azul, linda, lívida, calma e acolhedora. 
Do alto da janela do apartamento, eu posso vê-la, talvez se eu subir mais, eu a alcance. Isso me lembra um poema que mamãe lia para mim.
“Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.”
...[Sim, e sou Ismália.]
“No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...”
A lua... Maria... 
Eu a vejo no céu, e na imensidão dessa cidade solitária.
Agora, posso ser Ismália. Vejo-a agora, e sim, que posso alcançá-la.
Se eu subir, fico mais perto... Mais perto...
Topo...
Posso pegar sua mão... Sim, estou indo...
Mais um passo...
Minha alma subiu ao céu, meu corpo desceu às pedras, de um estacionamento...
Agora, tenho Maria,
Agora tenho Miguel...


(Leandra Marcondes)

domingo, 20 de novembro de 2011

Caro amigo....

Ai, meu amigo Caramelo, 
lembra que há tempos lhe disse sobre minhas sensações de estar vazia por dentro?
Pois então, essa sensação constantemente tem me visitado... 
Não que todos os meus bons e maus sentimentos fugiram, mas algo, fugiu, algo abriu um buraco...
Sabe, estive pensando, se realmente não é falta de algo, que de repente, meu ser toma consciência dessa ausência, e grita, desesperadamente...  Talvez seja a falta de algo, ou de alguém, alguém desconhecido ou não percebido ainda.
O que você me diz sobre isso? 
Fico pensando se é normal... mas, se tornou normal para mim, para ser EU viver com esse vazio...
Os seus conselho, caro amigo...são de estrema e delicada ajuda e importância.
Pois, sem eles, não saberia ao certo com conviver e superar estes vazios...Então...
Parte do que eu sou hoje, do que superei, vem de você e da sua força...
Hoje, depois desta valiosa construção da nossa amizade, só lhe tenho a agradecer por tudo...
Só tenho a lhe pedir, que continue perto de mim, e dizer que estarei ao seu lado, lhe dando apoio, e te ajudando na caminhada... pois é o que eu sinto e devo fazer... se me permitir...
Caramelo, Um grande abraço...


A rosa florescendo

Leitor, meu querido,
se lembra daquela semente,
feinha, toda marcada,
que um dia eu plantei?
Pois bem, meu leitor,
sinto uma grande felicidade, hoje,
pois senti alguma flor nascer:
pequena, da cor azul,
esta flor está se formando em mim!
Eu sei que é muito cedo ainda,
para que eu possa dizer, ao certo,
o quanto eu confio nela!
Fato é que, ao sentir o florescimento,
as pequenas pétalas me cobriram,
em grande gesto de proteção!
Eu fiz apenas minha obrigação:
cuidar do que me foi dado;
hoje, sinto os primeiros frutos nascerem…
e deixo meu coração se guiar
por essa semente da amizade.
Eu sei como lhe dói confiar,
pois eu conheço seu passado terrível;
com o tempo, e muito cuidar,
mostrar-lhe-ei meu bom ser,
dar-lhe-ei todas as provas necessárias
para que sempre confie em mim.
Eu sou um jovem jardineiros, eu sei,
mas de uma coisinha eu tenho certeza:
eu aprendi que, com sentimentos,
eu não posso lidar, que tudo tem seu tempo!
Apenas digo uma coisa, rosa:
o que estou te dando, em pouco tempo,
é a prova de que confio que, seus espinhos,
jamais ferirão meu coração.
Sei como é duro ser uma rosa, ter espinhos,
eu só quero que estes sejam saudáveis,
e que meus gestos de confiança
façam com que você se abra,
mantendo a confiança, a mim dada,
ao doar-me, um dia destes,
uma semente tão linda,
que cada dia mais vinga,
formando a amizade
que meus sentimentos apontam!

(Pier Francesco de Maria)



Ps: Este poema é um presente que recebi de um grande e novo amigo, Pier Francesco De Maria... Obrigada! *-*

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Zoomorfismo

Ela esta sentada na janela de seu quarto, vendo a mangueira da casa vizinha. As mangas, ainda verdes despertavam nele um desejo de comê-las, que tomou conta dela, com tal extensão, que não podia controlar. Queria a manga ainda verde, ainda imatura. Queria, com desejo, mordê-la  e arrancar sua casca, fatia por fatia, com a boca, descolando fibra por fibra, sentido, o gosto básico da polpa, ainda verde, o gosto que amarraria sua boca pondo fim ao desejo. E como algo  mais surpreendente ainda, sentiu-se como  uma animal. Queria, não mais uma fruta, queria um corpo, vivo ou morto, mas queria um corpo, e assim, queria tirar sua pele, e descolar suas fibras musculares, e sentir sangue em sua boca.  Queria libertar de si, o ódio que tinha das pessoas com quem ela se importava, mas que não se importavam com ela, queria libertar o ódio do mundo. Queria, não a dor, mais o poder de arrancar sua pele, ver o que há por dentro, ver se há escuridão, se  há bondade. Esse estinto animal, de um leão que rasga sua presa, come sua carne e deixa o resto com o fim de sua fome, a dominou, como  nunca algo a tinho dominado. De alguma forma, ela teria que libertar esse desejo, pois logo ele chegaria, e assim correria o risco de ser atacado, e ela,  mordê-lo, e puxar sua pele e sentir seu sangue, até que o desejo se fosse. Por fim, tocou a campainha. Ela caminhou até a porta. Era ele, ela abriu a porta, sorriu. Ele entrou, ela  fechou a porta....

domingo, 11 de setembro de 2011

Cansada de cansar

Ela estava sentada na cama, vendo o luar, se banhando e se purificando. 
Eu me cansei -disse ela. Se cansou de quê? De que você se cansou, de novo?-perguntou ele, com uma ar de cansaço.Ah! me cansei de me cansar, me cansei de mim, me cansei dos vizinhos, de hipocrisia deles, da inveja dele, me cansei do Mundo, da sua maldade, da sua fome, da fome do homem, me cansei de sua falta de ideais, me cansei dessa manipulação... Me cansei desse se apaixonar por um corpo, por uma imagem, me cansei de tudo, me cansei de você... De mim? por que você se cansa de mim sempre que se cansa de algo? Por que você não me ama mais, por que eu já não sou aquela que você amou um dia... Você está louca, te amo igualmente todos os dias. Sim, acho que estou louca, e acho, que faz muito tempo, nós que não percebemos, eu que não percebi, mas fui me fechando, e agora vivo nesse escuro, nesse escuro iluminado... Eu não te entendo, eu vou te ignorar, por que amanhã você volta e depois, volta a isso, mas, eu  vou fingir que você não está assim... ... ... ...
Eu vivo nesse escuro, por que eu vivo no claro, eu vejo tudo, vejo eles cochichando, olhando com desdem, fofocando, se olhando com raiva por trás e depois fingindo se amar.... sem ideologias, pessoas que nascem com caras de abortadas, que querem o que não tem... não mudam, não amam... eu vejo tudo isso... e isso me sufoca... me mata dia-a-dia. Você não me entende, nunca entendeu, nem vai entender. Você entende minha cabeça, meus lapsos de consciência, meus vazios... Sim, fui quem você amou, admirou, mais aquela lá morreu, você que não viu, nem foi ao enterro dela... dela só resta pó... E o que você quer que eu faça? o que você quer de mim, quer eu eu vá embora, é isso, pra amanhã você me procurar?...  Eu quero que você se foda!!        Quer saber? você não vai durar muito, louca assim, se dizendo consciente do mundo, você dura pouco, por que a dor vai te corroer, corroer, e depois, a dor será tanta, que você não vai aguentar e vai se matar! foda-se, você!    Ele pegou suas coisas e nunca mais voltou. Quando o namorado saiu, se sentiu leva, depois sozinha, depois triste. Depois de algum tempo, se levantou, e saiu também. 

sábado, 27 de agosto de 2011

E no fundo, sou só pó

No fundo, eu sou solidão...
todos somos, senão uma solidão só, e uma escuridão só.... pois, por mais alegre e feliz que uma pessoa pareça, por mais bela, e completa, ela sempre terá um fundo de escuridão, dores e solidão dentro de si...
Sempre haverá solidão, dores, cortes  físicos não existentes, por que, ser humano, pelo que me parece, é assim, nada o contenta, nada o felicita eternamente.
E no fundo, eu sou  só tristeza...
Por que a tristeza, é senão, um estado natural do ser humano... apenas isso... e disso vem a sua busca... pela doce e tesourífica alegria... disso vem o que o move, o que me move.
E no fundo, eu sou só lágrimas...
Pois são elas que lavam nossas dores, amores, tristezas, maldades e crueldades... é como as lágrimas de uma Fênix, que cura qualquer ferida. É como um sorriso, eu raiar do dia, uma tempestade, e depois vem a calmaria, depois das lágrimas, vem a calmaria.
No fundo sou só amor...
Um amor pela vida, e todos somos amor, senão, não haveria viver, não haveria morrer, não haveria luta, nem dor, nem alegrias, nem vida. Sou um amor pelo outro. Sou, somos, a somatória de todos os tipos de amor existente, seja amor de mãe, de pai, de amigo, amor de amor... seja qualquer que seja, é uma somatória, que move, que faz mover e viver a máquina humana...
No fundo sou só alegria....
Por que ela é algo passageira. É uma gota que cai. É um raio de luz que brilha do sol. É um sorriso É um dia belo... É uma consciência... É uma explosão
No fundo, sou só luta....
No fundo sou só Carbono, sou só Nitrogênio, Potássio, e água... e átomos...
No fundo, sou só humana...
E no fundo, sou só um piscar de olhos....
E num piscar de olhos, sou só pó...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma visita ao condomínio eterno....

Uma das irmãs queria fazer algo, que só poderia ser feito naquela cidade....
A outra não teve coragem de fazer quando eve oportunidade, mais aquela era a oportunidade, aquele era o momento certo.
As duas garotas saíram com o pai naquela manhã de sábado. O dia estava mais lindo que possível. 
O trio entrou no carro e seguiram em direção ao destino.
O pai parou o carro no mesmo local onde havia parado à dois meses antes. Eles entraram. Caminharam pelos túmulos, procurando o túmulo ao qual o avô havia sido enterrado. Após alguma procura, rápida, o pai encontrou. Era um túmulo grande, simples, ao qual guardava morada dos membros da família.  Naquele momento, uma delas sentiu realmente que o avô estava bem, estava melhor do que nunca estivera.
Ela sentiu a brisa leve que passava, parecia que ele estava lá, acalentando os corações  das netas. Era uma brisa que aliviava o calor da manhã e parecia ter o objetivo de acalmar. Sentiu também a leveza do lugar. Apesar de ser um cemitério, possuía uma  leveza, uma paz, como se os espíritos daquelas pessoas esperassem a visita de seus parentes, como  se quisessem acalmá-los de suas dores, de suas perdas... como se o ambiente fosse próprio. 
O vaso de flores feitas de plástico chamou a atenção da menina. Qual o objetivo real daquele vaso no túmulo?
Seria eternizar a imagem dos mortos? Ela tinha certeza que não. Para ela, uma flor verdadeira valia mais que uma falsa. Para ela,  flores falsas eram como abandono, como se o ato de visitar o túmulo, fosse uma obrigação, e aquelas flores simbolizassem o fim dessa obrigação... não visitar, não trocar as flores... não ter que ir.... 
Ela pensou no avô.. pensou no por que ele estava enterrado lá, por estava junto da família a quem havia brigado, pensou na família, lembrou dos momentos com ele... sentiu sua falta... mais parecia que ele ainda estava lá, naquela brisa, naquelas nuvens, naquele sol lindo.... parecia que ele se transformara na paz encontrada a casa dele agora... sim, ele ainda estava lá....
Após um certo período, o pai às chamou. O pai mostrou o túmulo de seus padrinho... um homem bom...
depois caminharam até a porta... o pai fez alguns comentários sobre condomínio  eterno, festa que os mortos deveriam fazer a noite... algumas gracinhas como de costume... então, entraram no carro e seguira para a antiga casa do morto. 

domingo, 17 de julho de 2011

Trechos de compatibilidade

 Faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver ...
faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos...
faz de conta que ela não estava chorando por dentro — pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver...
era bom aquele sistema que Ulisses inventara: o que não soubesse ou não pudesse dizer, escreveria e lhe daria o papel mudamente — mas dessa vez não havia sequer o que contar...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. Em súbita revolta ela não quis aprender o que ele pacientemente parecia querer ensinar e ela mesma aprender — revoltava-se sobretudo porque aquela não era para ela época de "meditação" que de súbito parecia ridícula...
havia também algo em seus olhos pintados que dizia com melancolia: decifra-me, meu amor, ou serei obrigada a devorar...

Mais uma vez, nas suas hesitações confusas, o que a tranqüilizou foi o que tantas vezes lhe servia de sereno apoio: é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição. Só que a maioria do que existia com tal perfeição era, tecnicamente, invisível: a verdade, clara e exata em si própria, já vinha vaga e quase insensível à mulher.
         Bem, suspirou ela, se não vinha clara, pelo menos sabia que havia um sentido secreto das coisas da vida. De tal modo sabia que às vezes, embora confusa, terminava pressentindo a perfeição — de novo esses pensamentos, que de algum modo usava como lembrete (de que, por causa da perfeição que existia, ela terminaria acertando) — mais uma vez o lembrete agiu nela e com seus olhos ainda escuros agora pelo pensamento perturbado, decidiu que veria Ulisses pelo menos mais esta vez.
         E não era porque ele esperava por ela, pois muitas vezes Lóri, contando com a já insultuosa paciência de Ulisses, faltava sem avisar-lhe nada: mas à idéia de que a paciência de Ulisses se esgotaria, a mão subiu-lhe à garganta tentando estancar uma angústia parecida com a que sentia quando se perguntava "quem sou eu? quem é Ulisses? quem são as pessoas?" Era como se Ulisses tivesse uma resposta para tudo isso e resolvesse não dá-la — e agora a angústia vinha porque de novo descobria que precisava de Ulisses, o que a desesperava — queria poder continuar a vê-lo, mas sem precisar tão violentamente dele.




Ps: Trechos do livro "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" de Clarice Listector; diz muito sobre o momento...